domingo, 3 de maio de 2020

Resenha - Drácula, de Bram Stoker


STOKER, Abraham 'Bram' (1847-1912). Drácula. Tradução e notas: Doris Goettems. São Paulo: Editora Landmark, 2012.⠀
Edição bilíngue: português / inglês.⠀
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Bram foi um escritor irlandês que nasceu no século XIX. Sua vida passou a ser notável após a sua mudança para Londres, onde assumiu a administração do teatro de Henry Irving. Na época, a sociedade literária estava em ascensão, sendo o lar de escritores como Oscar Wilde, Arthur Conan Doyle e Lord Tennyson.⠀
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Drácula  é um romance narrado através de cartas e anotações de um diário. A história mostra as experiências de sete personagens principais: Jonathan Harker, John Seward, Professor Van Helsing, Quincey Morris, Lord Godalming, Mina Harker e Lucy Westenra.⠀
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A trama inicia com Jonathan Harker, um funcionário que foi enviado para visitar um conde estrangeiro que planeja se mudar para a Inglaterra. Este Conde, o Drácula, é bastante misterioso, mas Harker não suspeita que ele seja maléfico até perceber que este o trancou dentro do castelo — ele vira um prisioneiro.⠀
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Daí em diante, a história se desenrola. O Conde Drácula vai para a Inglaterra, como planejava, e, estando lá, promove o caos. Lobos fogem de zoológicos e marcas de mordidas começam a aparecer em mulheres adormecidas.⠀
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Mergulhando no Romance⠀
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Há duas personagens que quero destacar: Mina e Lucy. Elas são amigas, porém extremamente diferentes. Mina é uma moça comportada, já Lucy é bem namoradeira. Ela recebe três propostas de casamento num só dia, o que sugere que ela detém poder sobre os homens que a cobiçam. ⠀
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Lucy simboliza a "mulher moderna", autoconfiante e independente, que dispensa a liderança masculina. Essa alusão à "mulher moderna" é enfatizada quando Lucy recebe poderes vampíricos e ataca crianças pequenas, demonstrando, assim, rejeição ao seu instinto materno.⠀
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Interessante, não?⠀
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A presente obra não teve reconhecimento quando foi publicada, apenas pouco antes do falecimento do autor, é que ela resurgiu no mundo literário, rendendo fama a Stoker. Desde então, Drácula permaneceu na lembrança de todos, inspirando outras obras literárias e diversas adaptações cinematográficas.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐

domingo, 19 de abril de 2020

Tag: Dez Perguntas Literárias


Olá, tudo joinha por aí?⠀
Hoje, senti vontade de fazer um post diferente... Simbora para as perguntas!⠀
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I - Qual é a capa mais bonita da sua estante?⠀
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Eu tenho vários livros com capas maravilhosas... porém, eu nutro um encantamento especial por The Romantic Poets (a obra da foto), que é uma coletânea dos poemas de William Blake, George Gordon, Lord Byron, Samuel Taylor Coleridge, John Keats, Percy Bysshe Shelley e William Wordsworth, publicada pela editora @canterburyclassics.⠀
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II - Se pudesse trazer um personagem para a vida real, qual seria?⠀
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A minha adorada Lou Clark, de Como Eu Era Antes de Você (seríamos best friends).⠀
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III - Se pudesse entrevistar um autor, qual seria?⠀
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Sem sombra de dúvida, Edgar Allan Poe, o meu eterno mestre.⠀
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IV - Um livro que indica para todo o mundo?⠀
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A Náusea, de Jean-Paul Sartre.⠀
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V - Uma história confusa.⠀
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A Menina Submersa - Memórias, de Caitlín R. Kiernan, e é um dos meus livros favoritos.⠀
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VI - Um casal.⠀
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Elizabeth Bennet e Mr. Darcy. 😍⠀
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VII - Dois vilões. (Que você gostou ou não)⠀
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Drácula, da obra que atende pelo mesmo nome e Heathcliff, de O Morro dos Ventos Uivantes. ⠀
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VIII - Um personagem que matarias.⠀
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Beatty, de Fahrenheit 451.⠀
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IX - Se pudesse viver num livro, qual seria?⠀
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Eu viveria numa trilogia: As Peças Infernais, de @cassieclare1, apenas para conhecer Will Herondale.⠀
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X - Qual teu maior e menor livro? (Em número de páginas).⠀
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Maior: Grandes Contos, de H. P. Lovecraft, com 1176 páginas.⠀
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Menor: Carmilla: A Vampira de Karnstein, com 96 páginas.⠀
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Por hoje é só, pessoal. 🤗

Resenha - O Retrato de Dorian Gray


WILDE, Oscar (1854-1900). Tradução e notas: Doris Goettems - São Paulo: Editora Landmark, 2014.⠀⠀
Título original: The Picture of Dorian Gray.⠀⠀
Edição comentada bilíngue: português / inglês.⠀⠀
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Spoiler Alert! ⚠️⠀⠀
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Dorian Gray, a personagem tida como principal na obra, é um jovem muito belo e puro. Certa vez, um aspirante a artista pinta um lindo retrato de Dorian, e este último anseia que sua aparência vistosa seja eternizada. O desejo é concedido. Mr. Gray torna-se imutável — jovial e charmoso, porém, o retrato começa a deformar a sua alma.⠀⠀
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Quando a personagem se entrega a uma vida de hedonismo, ele utiliza sua beleza persuasiva para obter tudo que deseja. Sua insensibilidade faz com que um amigo coneta suicídio. A perversidade da sua alma faz com que ele ceife a vida de um amigo a sangue frio.⠀⠀
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No decorrer de um par de décadas, Dorian interiormente se torna uma criatura monstruosa e isso fica refletido no retrato, ainda que ele permaneça o mesmo externamente.⠀⠀
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A homossexualidade do autor não é um segredo, inclusive, o leitor pode discernir facilmente pormenores que implicam tal fato na narrativa. Talvez, e somente talvez, as sutis insinuações à homossexualidade de Mr. Wilde hajam tornado suas obras demasiado atrativas aos amantes da literatura que simpatizam pelo homossexualismo.⠀⠀
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Entretanto, no livro, pode-se notar como o estilo de vida da personagem é deveras condenado pelo desfecho da narrativa. Em seu desenvolvimento, a trama tenta dissuadir o leitor a desejar justiça e redenção. No fim da obra, enfatiza-se a necessidade de punição — a morte como o salário do pecado.⠀⠀
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O que acontece com o ser humano que busca saciar seus desejos? Nós envelhecemos porque pecamos? Esses são alguns dos questionamentos que surgem na mente do leitor após o findar da leitura de O Retrato de Dorian Gray.⠀⠀
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Nota: 🏆🏆🏆🏆🏆

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Resenha - A Náusea, de Jean-Paul Sartre


Nomeado originalmente La Nausée e publicado em 1938, a Náusea é o primeiro romance de Jean-Paul Sartre e um enveredamento de suas primeiras reflexões e ideias acerca do existencialismo. A presente obra compõe a categoria ficção, porém, é difícil a mim explaná-la como tal, visto que ela fora escrita um ano antes do início da segunda guerra mundial. Entretanto, cá estarei me esforçando para destrinchá-la.⠀
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A Náusea é escrita no formato de um diário pelo autor fictício Antoine Roquentin. Para lê-lo, não carece de familiarizar-se com o escritor ou quaisquer um dos seus personagens. Eu escolhi esta obra com pouca ideia de quem era Sartre e posso afirmar sem titubeios que eu adorei este livro.⠀
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No prefácio do diário, os leitores podem observar claramente que Roquentin viaja há muitos anos e agora voltou à França.⠀
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Beirando o seu trigésimo aniversário, Rouquentin está realizando um projeto acadêmico em uma pequena cidade de Bouville (com base em Le Havre) e decidiu escrever uma biografia do Marquês de Rollebon, que é uma figura da Revolução Francesa. ⠀
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Na narrativa, vê-se que Roquentin leva uma vida isolada, passando a maior parte de seus dias trabalhando em jornais da biblioteca local e à noite em cafés e restaurantes.⠀
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Nessa solitude, ele sofre do que chama de náusea. Ele a descreve como uma sensação de falta de sentido na existência com outros corpos individuais. Antoine escreve um diário justamente para entender sua própria documentação sobre a náusea que ele sofre.⠀
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É um processo de autorreflexão e essa é a primeira coisa importante a compreender se você estiver lendo este romance. Essa solidão é uma representação de uma existência sem fim (eterno retorno), na qual todo indivíduo está cercado, embora cada um esteja intrinsecamente só.

Quote:⠀
"Estou livre: já não me resta nenhuma razão para viver (...) mas essa liberdade se assemelha um pouco à morte".

terça-feira, 17 de março de 2020

Resenha - Fahrenheit 451, de Ray Bradbury


A trama se passa em um futuro próximo, no qual um governo totalitário condena quaisquer tipos de materiais literários e didáticos. A obra foi concebida em 1953, período pós Segunda Guerra, e traz críticas severas à opressão anti-intelectual nazista, mostrando-nos a apreensão do autor pelo viés de uma sociedade inflexível.

Em Fahrenheit 451, adentramos a rotina da personagem Guy Montag (que é um bombeiro responsável pela queima de livros). Sim, você leu certo: os bombeiros se ocupam na incineração das casas e bibliotecas de cidadãos que infligem a lei antilivros.

Montag — que passa bastante tempo questionando-se acerca das suas motivações ou seu emprego — contesta seus ideais após ver uma mulher ser queimada viva junto ao seus livros. O bombeiro divaga sobre o que poderia haver ocasionado tal atitude. Ela estaria ensandecida? Ou será que os livros de fato tinham algo a oferecê-la?

O enredo é absurdamente tenso. Ao opor-se à ordem natural das coisas, Montag se põe num verdadeiro inferno terrestre.

Fahrenheit 451 é um livro profundo: inspira questionamentos filosóficos que instigam o leitor a refletir sobre como seria o mundo caso os livros fossem extinguidos.

terça-feira, 3 de março de 2020

Resenha - Noites Brancas, de Fiódor Dostoiévski


Eu estive buscando por um ponto de partida para a obra de Dosto por algum tempo, o adorável romancista existencial que é o orgulho e a alegria do cânone literário da Rússia. Por fim, decidi que iria facilitar meu caminho com algumas de suas ficções mais breves. "Noites Brancas", uma das primeiras novelas de Dostoiévski, parecia exatamente "a coisa".⠀
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A história é narrada por um narrador sem nome que adora divagar. Ele mora sozinho em um apartamento em São Petersburgo e não tem amigos ou família: apenas sua empregada matrona e alguns transeuntes aos quais ocasionalmente tira o chapéu enquanto está a caminho do trabalho.⠀
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Uma noite, ele conhece uma jovem bonita chamada Nástienka. Uma moça órfã que fora enviada para morar com sua avó. Nástienka é tão solitária quanto o narrador, eles rapidamente se tornam amigos e, por parte do narrador, essa amizade logo se transforma em amor. Mal sabe nosso herói que Nástienka já está noiva de outro homem.⠀
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Noites Brancas é uma ótima história. É fato que termina de uma forma melancólica, com Nástienka escolhendo seu noivo ao invés do narrador, porém, essa conclusão infeliz é, aos meus olhos, parte do que dá a essa narrativa seu impacto. Pois, veja, quando se torna aparente que Nástienka não está querendo deixar o noivo, o narrador simplesmente a deixa ir.
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Esse tipo de história de amor é demasiado atrativa para mim, porque retrata um herói que realmente ama a mulher e não a ideia de amor, ou com algum tipo de visão idealizada de como poderia ser a vida deles.⠀
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É óbvio que a trama não é isenta de falhas. A brevidade do relacionamento do narrador com Nástienka, talvez, cheire ao temido "amor passageiro". ⠀
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A história termina com uma moral que, embora seja profunda, pode parecer um pouco intrincada. E, como você notará, caso decida ler Noites Brancas, o narrador-personagem, é, por vezes, um tagarela.⠀
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Na segunda parte da novela, por exemplo, contém um longo monólogo dele no qual ele descreve minuciosamente alguns de seus devaneios preferidos. Isso, provavelmente, deixará certos leitores no tédio, mas, para mim, foi essencial para a construção do desfecho.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Resenha - A Revolução dos Bichos, de George Orwell


Nos dias atuais, ainda se discute bastante acerca da relevância da presente obra para os leitores desta geração, e eu, afirmo sem sombra de dúvidas que sim, ela é relevante. Após ler o livro, constatei que sua mensagem é demasiado poderosa, tocante e atemporal, como deveria haver sido na época na qual este fora publicado.

Animal Farm é um romance figurado de Orwell, ambientado num mundo em que os animais são bem mais sagazes. Por conta dessa inteligência, os porcos iniciam uma revolução contra os humanos e eles são os únicos que falam inglês fluentemente, o que lhes concedia o poder de serem líderes. Contudo, a estória se passa somente a alguns anos depois.

Animal Farm é a obra mais famosa de representação política já escrita. Os bichos assumem o controle de uma fazenda e as coisas parecem melhorar durante certo tempo, até que os suínos perdem o controle da situação.

Cá está a descrição perfeita para o que sucede com a revolução: ela se perde. Sabe-se o quão difícil é construir uma metáfora sofisticada, mas Orwell a conduz com maestria.

Apesar de A Revolução dos Bichos exigir maior compreensão da revolução russa para que sua mensagem seja verdadeiramente apreciada, os leitores sem tal conhecimento a entenderão do mesmo jeito.

Afinal de contas, Animal Farm é uma obra que todo o mundo pode e deveria ler.